Uma iniciativa do projeto PÚBLICO na Escola e da Rede de Bibliotecas Escolares, o concurso “Isto também é comigo!” distingue, todos os meses, um texto da autoria de estudantes do ensino secundário, tendo como ponto de partida para a reflexão um trabalho do PÚBLICO. Em outubro de 2025, foi uma “Notícia PÚBLICO na Escola para a sala de aula”, da autoria de Cláudia Lobo, que cativou o interesse de Xavier Almeida, aluno do 11.º ano do Agrupamento de Escolas Soares Basto: “As bombas deixaram de cair em Gaza”.

A felicidade é relativa.
No passado dia 15 de outubro, Cláudia Lobo publicou um artigo no PÚBLICO intitulado «As bombas deixaram de cair em Gaza». O artigo aborda o facto de ter sido assinado um acordo de cessar-fogo entre o primeiro-ministro de Israel e o Hamas, mostrando-se como uma luz ao fundo do túnel para o povo de Gaza. O que me despertou a atenção nesta notícia foi a imagem da sua capa, de Dawoud Abu Alkas/REUTERS, cuja legenda é «Crianças na Faixa de Gaza, depois de se saber do cessar-fogo». É impossível ficar indiferente perante a imagem de dois rapazes a sorrir no meio de destroços, à beira de uma tenda onde provavelmente viveriam. O cenário envolvente é chocante e as ruas refletem o sofrimento levado a cabo naquele lugar. No entanto, estas crianças sorriem. Sorriem abertamente como se vissem, pela primeira vez em dois anos, um futuro na sua vida. O seu sorriso puro e inocente contrasta com os tons de cinzento que à sua volta se desenham, num dia em que o sol lhes quis também sorrir de volta. É arrepiante olhar para estes meninos e saber que eles estão tão felizes por causa do fim de uma guerra. Naquela idade, a minha maior felicidade era receber um brinquedo novo no meu aniversário. Isto mostra que a felicidade é relativa. Aquelas crianças não têm nada, mas sorriem — porque têm esperança. Estão contentes porque a guerra chegou ao fim, porque o futuro lhes parece mais brilhante, tal como o sol daquele dia. Uma criança numa região em paz não sabe a sorte que tem por não ter de se preocupar com assuntos como guerras, fome e doenças. Quer apenas brincar e divertir-se. Porém, para estas crianças, não ter de sofrer diariamente já é uma alegria enorme. Só espero que estes meninos da fotografia tenham um futuro melhor, que os seus filhos não tenham de se contentar com o fim de uma guerra e que possam ser felizes a fazer outras coisas — coisas próprias de crianças, que estas não puderam fazer.
É só isso que eu peço.
Miguel Xavier Saraiva Almeida, 11.º ano, Agrupamento de Escolas Soares Basto,
Oliveira de Azeméis
